O Escrevinhador conversou com a psicanalista que virou assunto na blogosfera nesta semana. Maria Rita Kehl teve sua coluna quinzenal “descontinuada” no Estadão devido a seu último texto “Dois pesos…” no qual criticava as críticas desqualificadas feitas pela elite ao programa Bolsa Família.
Kehl conta que na terça-feira de manhã recebeu um aviso dizendo que sua coluna seria extinta – o que a surpreendeu pois nunca havia recebido nenhum tipo de aviso ou crítica dos editores. Maria Rita pediu que reconsiderassem e os editores ficaram de conversar. Entretanto, a questão foi amplamente divulgada nas redes sociais. A psicanalista disse que não sabe como isso ocorreu, alguém de dentro do jornal havia espalhado a notícia.
A psicanalista sentiu na pele "os dois pesos" do jornal que diariamente alega estar sob censura mas não aceita a pluralidade de opiniões
Maria Rit Kehl foi convidada em fevereiro a escrever uma coluna sobre psicanálise. Aceitou mas disse que não gostava muito de escrever sobre o tema em jornais e progressivamente foi abordando temas políticos. Sem que nunca ninguém contestasse isso. Entretanto seu último texto havia desagradado os leitores e o Conselho do veículo.
Na conversa entre os editores para decidir o futuro da coluna, debateu-se que a psicanalista estava desviando do tema proposto. Maria Rita Kehl conta que essa conversa também foi amplamente divulgada mas de maneira errada. Pois em nenhum momento os editores disseram que “ela poderia continuar com a sua coluna, se se restringisse à psicanalise”, como dizia o boato disseminado.
O editor alegou que pela imensa repercussão que o tema teve, ele “não tinha outra alternativa a não ser descontinuar a coluna”. Maria Rita Kehl ainda contra argumentou que se houve esta repercussão é porque a coluna é popular, mas não adiantou: “aparentemente os leitores que valem são os que não gostaram”.
A psicanalista alega não saber quem vazou as informações pois ela não tinha nenhum interesse em gerar um escândalo: “não sei se alguém fez isso com a intenção de me prejudicar ou de me ajudar mas a repercussão foi usada como motivo decisivo pra eles acabarem com a minha coluna”.
Comentário: O macróbio, antiquado e decadente jornalão paulista, que alega estar sob a censura "lulo-petista", não tolera o contraditório e a opinião divergente, princípios que fundamentam qualquer sociedade democrática digna do nome.
Para a "famiglia" Mesquita, liberdade de expressão é aquela que se pode comprar! Mais: a liberdade de expressão, que é um direito universalmente reconhecido, para os Mesquita e seu reduzido círculo de leitores, é antes um direito de casta!
Esse é mais um exemplo do estado (sem trocadilho!) deplorável da velha mídia!
*Leia mais entrevista feita por Bob Fernandes no Terra Magazine
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