O Anaconda

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Maria Inês Nassif: Divã para livrar o país da síndrome do quepe

 
O período militar é um cadáver insepulto. A jovem democracia brasileira tem uma enorme dificuldade de lidar com seu passado. Nos momentos em que os conflitos políticos são de baixa intensidade, a tendência da sociedade é simplesmente jogar esse período negro da vida do país para debaixo do tapete. Quando são de média intensidade, o passado põe a cabeça de fora e lembra que continua no ar, como uma nuvem, e a chuva pode desabar a qualquer momento sobre nossas cabeças.


Por Maria Inês Nassif*

 Em situações de grandes conflitos, como no recente período eleitoral, grupos sociais mais conservadores retiram do embornal um discurso que parece ter saído da boca de um general-presidente, com grande espaço para teorias conspiratórias dando conta de perigosas "ameaças comunistas".

Como o uso do cachimbo normalmente entorta a boca, os movimentos políticos, desde o pré-64, voltam sempre para a lógica segundo a qual um lado sempre deve estar na ofensiva e o outro, na defensiva. A contaminação da oposição pelo velho udenismo trouxe junto o hábito de pedir a tutela dos quartéis, quando seu projeto político não consegue se viabilizar pelo voto. Mas uma das coisas que alimenta a recaída permanente da elite brasileira ao conservadorismo - e ao militarismo - é o outro lado. O velho PSD, de Tancredo Neves, também permanece como padrão de comportamento político: a recusa a qualquer tipo de confronto, em especial quando pode resvalar na área militar. Os dois lados se alimentam de um consenso forjado sabe-se lá onde, de que a direita tem legitimidade para levar o confronto ao limite, enquanto, do centro à esquerda, os atores políticos tornam-se irresponsáveis se não estiverem sempre conciliando.

As Forças Armadas são peça central nas situações de confronto: não só assimilam apelos de tutela da democracia, como são a instituição que avaliza as pressões de um grupo minoritário - de direita - sobre o resto da sociedade. A lembrança do passado só vem à cena política quando serve a esse jogo de pressão.


O Ministério da Defesa, concebido teoricamente para submeter o poder militar às instituições democráticas, nem bem nasceu e parece estar contaminado pela visão udenista das Forças Armadas, que requer sempre uma ação pessedista, de conciliação, para evitar o pior. O ministro Nelson Jobim, que o governo Lula considera ter desempenhado um papel importante na consolidação do Ministério da Defesa, é tido como um ponto de equilíbrio não por ter assumido o comando das armas, mas por ter exercido um papel de mediador das pressões militares junto a um governo civil de esquerda.

O vazamento de documentos relativos ao ministro, pelo Wikileaks, trouxe à luz provas de que as forças militares continuam um capítulo à parte na história da democracia brasileira - e isso, mesmo quando o seu chefe é civil. Um ministro da Defesa que foi mantido e se fortaleceu nas brigas que comprou dentro do governo, com colegas mais comprometidos com visões não-conservadoras sobre os Direitos Humanos e sobre a forma de lidar com o passado autoritário do país, expôs as suas divergências com o Ministério das Relações Exteriores a ninguém menos que o embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Gentilmente, cedeu ao embaixador a informação, dada confidencialmente pelo seu chefe, o presidente da República, sobre o estado de saúde do presidente da Bolívia, Evo Morales. As inconfidências ganham os jornais dias depois de Jobim ter sido confirmado, na mesma pasta, para o próximo governo. Continua ministro de Lula e será o ministro de Dilma Rousseff.

O governo Dilma acena para a manutenção de uma situação em que o Ministério da Defesa - e portanto as Forças Armadas - não se integra a um governo legitimamente eleito, mas se mantém no governo com altíssimo grau de autonomia, graças a ondas de pânico criadas por grupos de direita. Paga o mico das inconfidências de "um ministro da Defesa invulgarmente ativo", segundo definição do próprio Sobel em um de seus telegramas.

A falta de reação a ofensivas da direita tem seu preço. As Forças Armadas são um terreno fértil à pregação conservadora e a absorve com rapidez e clareza. Não deve ser à-toa que, depois de um processo eleitoral particularmente radicalizado - onde prevaleceu a lógica do udenismo que confronta e apela aos quartéis e do pessedismo que concilia - que a turma que se forma este ano na Academia Militar de Agulhas Negras (Aman) tenha se batizado com o nome do general Emílio Garrastazu Médici, presidente militar do período mais sangrento da ditadura.

Os militares se retiraram para os quartéis, mas é evidente que continuaram reproduzindo internamente uma ideologia altamente conservadora, que não afasta o papel de tutela sobre a sociedade civil. Isso aconteceu porque não houve uma contra-ofensiva capaz de colocar outra visão sobre o papel dos militares na sociedade e fazê-la dominante. A discussão do aprimoramento da democracia deve passar por uma profunda revisão do papel das Forças Armadas e por uma integração, de fato, da instituição nos esforços democráticos da sociedade.

A propósito: as consultas sobre os processos contra os adversários políticos da ditadura instruídos pela Justiça Militar podem ser consultados na Unicamp, que recebeu todos os arquivos reunidos pelo grupo Tortura Nunca Mais, abrigado na Arquidiocese de São Paulo, durante a ditadura. O grupo copiou os processos na Justiça Militar e, com base neles, fez um importante trabalho de denúncia de torturas e assassinatos de opositores políticos do regime. O trabalho final do grupo assume como legítima a ideia de que as denúncias de tortura por parte dos presos políticos, feitas no período à Justiça Militar, tornam sem valor as informações obtidas por esses meios. Para saber o que fizeram os presos políticos para se tornarem presos políticos, é mais garantido que se pergunte isso a eles hoje. Na democracia e em liberdade.


* repórter especial de Política, para o jornal Valor Econômico

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Tweets aos Jovens Eleitores

Direto do Tulio Vianna

Muitos jovens não entendem por que Serra e o PSDB são reaças, simplesmente porque não viveram a era FHC. É preciso contar pra eles como foi.

Ei, aluno da universidade federal, sabe como era a universidade pública no governo FHC? Leia aqui: http://cynthiasemiramis.org/2010/08/17/lembrancas-vida-universitaria-no-governo-fhc/

No governo do professor FHC, não havia PROUNI e, se pobre quisesse fazer curso superior, só lhe restava tentar vestibular nas federais.

Ei, jovem de 20 anos, vc sabia que FHC doou a Vale (2ª maior mineradora do mundo) pro capital privado? Ideia do Serra: http://www.youtube.com/watch?v=35K5Mp4Qzos

Só a doação da Vale por Serra-FHC causou mais prejuízo aos cofres públicos que todas as acusações NÃO PROVADAS de corrupção do governo Lula.

Ei, jovem, de 20 anos, você sabia que no final do governo FHC-Serra o salário mínimo era de U$63,88 ? Hoje é de U$293,77 Bom, né?

Ei, jovem de 20 anos, sabe quantas universidades federais o professor FHC criou? Nenhuma! Sabe quantas o torneiro mecânico Lula criou? 12.

Ei, jovem de 20 anos, sabe qual a diferença pros miseráveis entre o governo FHC (1995-2002) e o governo Lula (2003-2010)? http://www.fgv.br/cps/Pesquisas/miseria_queda_grafico_clicavel/FLASH/

Ei, jovem de 20 anos, sabe quantos empregos FHC criou? 800 mil . Sabe quantos empregos Lula criou? 11 MILHÕES!

Ei, jovem de 20 anos, que zoa o Lula por ser “analfabeto”, bom providenciar umas aulas de matemática pro economista Serra http://www.youtube.com/watch?v=UiRNvK95438

Ei, jovem de 20 anos, que zoa o Lula por ser “analfabeto”(2), aula de biologia pro ministro da saúde Serra: http://www.youtube.com/watch?v=_z97MhLvWsI

Ah, jovem de 20 anos, no tempo de FHC, ministro das relações internacionais tirava até os sapatos pra entrar nos EUA: http://epoca.globo.com/edic/20020304/brasil4.htm

Quer saber mais sofre as diferenças entre o governo do PSDB e o do PT? Visite: http://lulavsfhc.tumblr.com/ (via @narcelio )

Ei, jovem de 20 anos, faltou essa: que tal viver num país com racionamento de energia elétrica? Governo FHC teve APAGÃO: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/2001-crise_energetica.shtml